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Proteção contra raios em propriedade rurais

O Brasil é um dos países com maior incidência de raios do mundo e a zona rural é a principal refém desse fenômeno já que possui muitas áreas descampadas e com pontos altos isolados. 


Devido ao fenômeno climático do El Niño, durante esse ano, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) projetou um aumento na incidência de raios de aproximadamente 30% o que pode causar mais mortes de animais no campo.


É fato que o confinamento no Brasil tem maior representatividade durante o inverno, época com menor incidência de tempestades e raios, porém a proteção contra esse fenômeno é necessária uma vez que os animais estão aglomerados e se apenas um raio atingir o confinamento pode causar um grande prejuízo.


São três as formas proteger a propriedade rural contra os raios: os para-raios, o aterramento e seccionamento das cercas. Se esses métodos forem adotados é possível minimizar os prejuízos causados por um raio.


Para-raios


Como o raio sempre procura o local mais alto para cair, o para-raios evita que os raios caiam em outros locais, como cercas ou até mesmo nos animais.


O para-raios deve ser instalado no ponto mais alto da propriedade e deve ser ligado à terra para que a corrente do raio seja levada para o chão e dissipada. É possível aproveitar postes de luz existentes no confinamento.


Para saber a quantidade de para-raios que deve ser colocado, em média, um poste de 12m de altura com um para-raios instalado cobre uma área de 20m de diâmetro. A partir daí, é possível calcular quantos para-raios serão necessários para cobrir a área do confinamento. 


A norma brasileira NBR 5419 - Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas de junho de 1993, determina os critérios de instalação de para-raios.  


Existem dois tipos de para-raios que podem ser utilizados no Brasil, o tipo Melsens e o tipo Franklin.


Para-raios tipo Melsens adotam o princípio da gaiola de Faraday, envolvendo a edificação com uma armadura metálica e hastes que descem até o solo para dissipação da corrente elétrica.


Já os para-raios tipo Franklin possuem uma única haste metálica onde ficam os captadores e um cabo de condução que vai até o solo para a dissipação da energia.


O método mais indicado é o tipo Melsens, apesar do um custo mais elevado para a instalação. O funcionamento é mais eficaz.


Aterramento e seccionamento da cerca


O aterramento, ligação dos fios de arame à terra associados ao seccionamento da cerca é uma medida para evitar os perigos decorrentes de um raio.


De forma geral, o raio sempre vai querer alcançar a terra, portanto, se ele atingir uma cerca, a corrente elétrica viajará através do arame para atingir seu objetivo.


O aterramento dos arames, facilita essa jornada, permitindo que a corrente elétrica alcance a terra rapidamente e não caminhe por um longo percurso na cerca.


No caso de o raio atingir pontos próximos da cerca, o aterramento auxilia a diminuir a carga elétrica que ficará retida na cerca.


O ideal é que seja escolhido vários pontos ao longo da cerca para fazer o aterramento, ligando os fios à terra através de um objeto metálico que deve ser enterrado. O tamanho desse objeto é importante, pois se for pequeno o aterramento será ineficiente.


Vale destacar que, não deve ser feito o aterramento de dois lados do seccionamento das cercas, pois, devido à proximidade, o seccionamento ficaria prejudicado. O indicado é que o aterramento de dois trechos de cercas seccionadas deve ficar, no mínimo, afastados 20 metros. 


Como o aterramento causa a eletrificação do solo ao redor, em currais ou baias, é indicado a instalação de malhas de aterramento (telas metálicas) que, quanto mais fechadas forem, maior o nível de proteção. No caso de currais pequenos, até 400m², é possível a adoção apenas de um anel metálico enterrado junto à cerca.


O seccionamento da cerca impede que a corrente elétrica circule ao longo da cerca, restringindo-a a apenas uma parte, ou seja, quanto menor a cerca, menor o risco.


O importante para seccionar a cerca é que todos os elementos metálicos devem ser isolados, sendo que nenhum pode estar conectado aos mourões de isolamento. O ideal é que entre os dois mourões não haja ligação, mas se não for possível, essa ligação deve ser feita com madeira (bom isolante elétrico). 


A distância entre os esticadores deve ser a maior possível com, no mínimo, 500m e o seccionamento deve ser feito a cada 200m ou 300m. 


Conclusão 


Os raios têm grande incidência no Brasil e existe o perigo de atingir uma propriedade rural e matar os animais, que não deve ser ignorado. A proteção contra raios é necessária em fazendas para minimizar os prejuízos. 


Para mais informações sobre descargas elétricas no campo e torres de alta tensão acesse os artigos escritos pelos analistas da Scot Consultoria: 


- Passagem de torres de transmissão de energia elétrica sobre propriedades rurais: https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/artigos/49997/passagem-de-torres-de-transmissao-de-energia-eletrica-sobre-propriedades-rurais.htm


- Descargas elétricas e o boi no pasto: https://www.scotconsultoria.com.br/noticias/artigos/49993/descargas-eletricas-e-o-boi-no-pasto.htm


Fontes


Proteção de estruturas contra descargas atmosféricas. Norma Brasileira NBR 5419, Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT, junho de 1993.


Universidade Federal do Recôncavo da Bahia <https://www.ufrb.edu.br/bibliotecacfp/noticias/316-o-funcionamento-do-para-raios>


Universidade Federal de Minas Gerais. Manual de proteção de cercas e currais contra raios. <http://www.moretti.agrarias.ufpr.br/eletrificacao_rural/livro_aterramento_cercas.pdf>

 

Fonte: Scot Consultoria